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Solidão. Sete letras que preenchem meu cotidiano infinito. A angústia nunca passa, dança dentro de um carrosel diante dos cegos olhos humanos. Nossa alma a sente presente, mas a demanda de jogar tudo dentro do poço é superior a qualquer. Pressionamos o delete, e vivemos mediocramente, do jeito que precisamos. A arte de afundar é nunca percerber que você está se afogando. Tenho meus livros, minha internet banda larga, meu cérebro, meus CDS, meus DVDs. Não preciso mais de nada. Minto para mim mesma com orgulho, sei que consigo me enganar muito bem. Não consigo mais olhar mais minha imagem no espelho. Vejo algo quebrado e distorcido, pedindo para entrar em um tipo de son(h)o que nunca acabe. E nesse sonho, você reconstituí meus pedaços lentamente, beijo por beijo, carinho por carinho, formando uma mulher. Acorde desse sono.
Faz 5, 6 meses, 1 ano, não consigo me recordar direito, que sinto que acordei de um péssimo sonho. Febre alta, naúseas, dores no corpo, o diagnóstico estava pronto, carimbado pelo médico-chefe da operação. Vivendo como um robô mal fabricado, que apenas responde perguntas óbvias, aprendi a sobreviver no cotidiano que chamam de humano e racional. Percorri um percuso que muitos não ousaram encostar os pés, por covardia e senso crítico apurado. Nas valas mais imundas que tive o (des)prazer de sentir o seu pútrido odor, caminhei em linhas tortas, onde esperava achar algo incrívelmente significante para mim, o nada. Me resumo a dor cristalizada em palavras não ditas durante esse período de tempo, na esperança em que algo superior ou sobrenatural me permeie, por inteiro. Nada produzo, nada falo. O nada que me permeava se transformou em uma raiva tão brutal, tão negra que despejei seu conteúdo para todos os que me cercam, sem que os mesmos percebessem. Mudança soa como um mantra persistentemente não seguido por mim. "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Fico ansiosamente insana só de pensar que 365 dias de agonia e felicidades aprimoradas aos poucos finalmente vão voltar à minha vida com toda força de novo. Dá um frio na barriga só de pensar nos meus futuros colegas, conhecidos (e tão cruelmente julgados), nas minhas próximas conquistas, que esperam em um canto bem escondidas, esperando ser acordadas de um grande sonho que nunca aconteceu. A cada passo incerto da minha vida sinto que amadureci, apesar da minha essência insistir em gritar que meus conceitos pré-criados sempre vão estar aqui. Descobri isso, com experiências banais, de tipo, ir a um bar e ver que o mundo e as pessoas que dividiram o mesmo baldinho velho que você usava na praia, estavam dividindo com você um lucky strike. E duro encarar isso com total indiferença, que você tenta desesperadamente encontrar, mas ela está perdida, junto com o mar de emoções que um dia foram embora inesperadamente, levando o navio da criancinha saudosa que está presente no meu ser, mesmo tentando ser escondida nas experiências mais comuns da adolescência. Corro contra o tempo, e ando com passos largos para o futuro. Me aguarde, me aguarde. Esse é meu novo mantra que insiste em me relembrar que eu estou forçando tudo. Tudo, infelizmente, aconteceu naturalmente na minha vida, da forma mais esperada possível. Será que seria capaz de não voltar para a rotina e dar um tempo nessa vida desgastante que faz cada ser humano parar de pensar instantaneamente, e agir por instintos que nunca forma acordados, de tamanha frustração? Ser uma garota de classe-média se resume à essa vida?
O doce odor perfurava seu nariz como mil rosas envenadas. Não havia como escapar. Seu corpo rígido, sozinho e marcado, denunciavam a chegada do intruso com seus doces suores, que ria solenemente da sua posição fudidamente fudida (literalmente). Como era suave sua expressão de tesão, enquanto separava suas pernas esquias e magras. A voz grave da Nina Simone e o som dos carros passando ferozmente na avenida foram ligeiramente esquecidos. O mundo estava concentrado, impermeado nas regiões interiores, que não paravam de tremer de antecipação. Chega mais perto, me engole, sente o cheiro da minha excitação te dominar. Nada mais te importa agora, o meu mundo caiu, junto com seus clichés e sua pseudo-conservação. Movendo mais rápido, nossas vozes roucas e irracionais, que são esquecidas com o movimento brusco. Quero te ter pelas entranhar, foder você por inteiro, até você não respirar mais, e viver nesse seu mundo hipócrita e fútil. Quero quebrar você em duas, te usar, te machucar da forma mais violenta possível. Não vou sofrer por você, nem pelos seus vestidos de brechó, pelo seu cheiro doce que inebria qualquer alma viva que chega perto, muito menos pelos seus sorrisos, sonsos e doces, na tentativa (completamente falha) de ser sacana. Não vou torcer por você, não vou chorar quando morrer, Carnalmente, meu cérebro grita, carnalmente.
Os meus sonhos consomem toda minha alma, definitivamnte, e isso é uma conclusão impermutável. Vivo constantemente sonhando acordado, sim, I don't give fuck, odeio a realidade. Como é bonito viver em um sonho burguesinho e hipócrita de que sou feliz com o último chiclete mascado e os meus discos do Bowie. Fechar a porta do quarto, sonhando que ele está presente e dançar (?) até meu suor esvair com o calor e a repulsão ululante do meu quarto, meu corpo é mentira e tudo que está na mídia sou eu. Seres infelizes, aqueles que não prestam atenção nas minhas mútiplas-facetas, no comprimido que está todo dia na escrivanininha, minha salvação infeliz. Tédio escorre nas minhas veias como veneno, unindo com aqueles 20mg. Posso viver agora, as horas passam com o piscar de olhos, e sei, que embora lutando, Juliana Spotto e seu ego serão esquecidos, unidos.
Antes fútil a inútil. Ok, tem até comunidade no orkut, eu não quero me admitir mas isso se aplica a minha pessoa perfeitamente. Loiros de doer os ohos, frappucinos da Starbucks, carteira matelassê Marc Jacbos e o cuidado extremo para não cair do seu novo par de peep toes da Jimmy Choo, com suas pantalonas vintage. Uma imagem plástica, perfeita, inabalável. Fica ululante a quantidade de mulheres (incluíndo esse mísero ser que vos dirige a palavra) que sonham com o look Barbie. Best-sellers como "The Secret" e "Gossip Girls" alimentam a mente das consumidoras que gastam cada centavo da carteira do pai, marido, ou viram workholics desesperadas sem vida sexual procurando ter a mais nova bolsa Miu Miu. O hype que não acaba, a volta para os '60s, '70s, '80s, a procura incessante dos brechós mais velhos e despedaçados para montar seu look bohemian-chic. A esnobice crônica, o esteriótipo. Será que o bombardeio de culturas da internet nos leva a esse ponto?
Juliana Spotto.
Juliana Spotto.
Juliana Spotto.
Juliana Spotto.
Juliana Spotto.
Juliana Spotto.